15 de julho de 2013

Google lança ferramenta para vida após a morte digital


Herança digital
O Google anunciou a criação de uma ferramenta para que os usuários decidam o que deverá ser feito com seus dados após sua morte, ou após eles ficarem inativos online.
Trata-se da primeira empresa a lidar com a espinhosa questão da vida após a morte no mundo digital.
A medida vale para e-mail, para a rede social Google Plus e outras contas.
Os usuários poderão escolher que seus dados sejam apagados ou enviados a alguém, após um determinado período de inatividade em suas contas, que pode ser de 3, 6 ou 12 meses.
"Esperamos que isso permita a você planejar sua pós-vida digital, protegendo sua privacidade e segurança e facilitando a vida de seus entes queridos após sua partida," disse a empresa em seu blog.
A companhia ressaltou que, antes de apagar os dados, enviará uma mensagem comunicando isso a endereços de e-mail secundários dos usuários.
Queda na venda de PCs
Embora não seja uma questão de morte, a queda no ritmo econômico está impactando o mercado de computadores pessoais de maneira fulminante.
As vendas globais de PCs caíram 14% no primeiro trimestre de 2013 - a maior queda desde 1994, quando a empresa de pesquisas IDC começou a mensurar esse mercado.
O IDC diz que a nova versão do Windows não foi capaz de revitalizar a indústria. A Microsoft ainda não comentou essa avaliação.
Para o professor Fabrizio Carmignani, da Universidade Griffith, a Terceira Revolução Industrial - esta que estamos vivendo, baseada em computadores, web e comunicação móvel - gerou um aumento na produtividade muito menor do que a Segunda Revolução Industrial.
Consequentemente, o crescimento econômico começou a diminuir. Ele estima que, a médio prazo, por falta de inovações tecnológicas, o crescimento econômico deixará de existir. Veja mais detalhes de sua teoria na reportagem:
  • Terá a inovação tecnológica atingido sua fronteira final?
O Fórum Econômico Mundial, por sua vez, é mais otimista, e até listou as 10 tecnologias que podem salvar a economia mundial.

Evento na USP vai discutir e divulgar Inteligência Artificial


Evento na USP vai discutir e divulgar Inteligência Artificial
Uma dos grandes momentos da Inteligência Artificial nos últimos anos deu-se quando agentes de software passaram no Teste de Turing dos games.[Imagem: Peter Reynolds/BotPrize]
A USP (Universidade de São Paulo) vai sediar um evento para divulgar a área de pesquisas conhecida como Inteligência Artificial.
O evento Escola de Sistemas de Agentes, Seus Ambientes e Aplicações (WEESAC), começa neste domingo, 26 de maio, e seguirá até o dia 29, terça-feira.
Além das oficinas, pesquisadores internacionais apresentarão palestras sobre simulações, coordenação e planejamento de agentes, e engenharia de softwares.
As inscrições poderão ser feitas durante o próprio evento.
"Nós queremos efetivamente aumentar a comunidade interessada no assunto, e é uma excelente oportunidade para começar a conhecer o que são agentes", diz Anarosa Brandão, que está coordenando o evento juntamente o seu colega Jaime Sichman.
Agentes são sistemas voltados à à resolução de problemas considerados tecnicamente difíceis de serem realizados por meio de softwares comuns.
"Se queremos, dentro de um banco de imagens, buscar uma imagem ou fazer o reconhecimento de alguns padrões, não há algoritmo exato para isso, é então que as técnicas de Inteligência Artificial são usadas", explica Sichman.
Inteligência distribuída
A Inteligência Artificial não é mais um conceito futurista, ou pertencente ao mundo da ficção. Embora sem o quê de fantástico que ganha nos filmes, esta já é uma área de estudos bastante desenvolvida dentro da computação.
No mundo real, a I.A. se dedica à resolução de problemas considerados tecnicamente mais difíceis de serem realizados por meio de sistemas comuns, e para isso trabalha com os chamados sistemas agentes.
Já há 40 anos, de acordo com Sichman, a Inteligência Artificial busca encontrar e representar processos de resolução de problemas a partir de sistemas em situações em que a inteligência tenha que ser distribuída em pequenos setores com poder de decisão.
Como exemplo, o professor cita uma organização como a universidade, que possui entidades que tomam suas decisões isoladamente, buscando um melhor aproveitamento dos resultados para o conjunto. "Cada departamento tem suas metas, a Universidade tem as suas e todo mundo tenta obter o melhor resultado possível. Quando existe conflito, as pessoas responsáveis negociam", diz. E é isso que se busca desenvolver com os Sistemas Agentes e Multiagentes.
Metáforas
Para entender de verdade o funcionamento de Sistemas Agentes e suas aplicações, é impossível não se apoiar em metáforas de situações similares existentes na sociedade humana.
Em busca de resolver um determinado problema, há uma coleção de entidades que se organizam, coordenam e cooperam entre si para solucioná-lo. Sichman se utiliza do exemplo da "agência de viagens": para organizar uma viagem é preciso negociar com um agente, ou diretamente com os sites de passagens aéreas ou de reservas de hotéis, cabendo ao comprador - ou ao agente - a função de lidar com os problemas de datas, horários e preços que podem, por ventura, "não se encaixar".
O professor sugere, então, um software que tivesse a autonomia de fazer isso pelo usuário. "Seria como se você dissesse para o software: 'Tente encontrar e negociar entre todas as companhias aéreas e hotéis disponíveis quais são a melhor combinação para mim'".
Em síntese, a área de Sistemas Agentes e Multiagentes se dedica ao estudo de um conjunto de entidades inteligentes que se coordenam, cooperam, negociam e planejam para poder atingir um objetivo comum.
Segundo Sichman, muito da inspiração vem de metáforas sociais, teorias de Ciências Humanas, economia, administração e também de etologia (estudo do comportamento animal), caracterizando a Inteligência Artificial com uma área em essência multidisciplinar.
Sistemas "multiáreas"
Sichman ressalta a importância de se estar sempre em contato com outros pesquisadores das áreas das Ciências Política e Sociais. Segundo o docente, existem muitas ferramentas de simulação que podem ser úteis para essas áreas, como sistemas que podem capturar tendências de grupos sociais e simulá-los para a observação de fenômenos emergentes.
"É possível ter um nível de abstração superior que possa ter resultados interessantes no ponto de vista de ciências humanas. Na área de administração, por exemplo, tem muita gente que usa a simulação de agentes econômicos racionais, usando a Teoria de Jogos", ressalta.
Com o aumento da complexidade que se associa aos sistemas agentes, uma área que se desenvolve significativamente é a da engenharia para estes sistemas.
A professora Anarosa Brandão, que se dedica a esta área, comenta que com o tamanho os sistemas atingem, "está ficando cada vez mais difícil implementar e desenvolvê-los, então também há muitas pessoas pensando nas questões da engenharia dos softwares, pois o processo de desenvolvimento é bastante diferente do software convencional".

Toyota apresenta carro-conceito que dispensa motorista


Toyota apresenta carro-conceito que dispensa motorista
A tecnologia de carros sem motorista está avançando rapidamente, mas o aparato no teto do Toyota Lexus mostra que ainda serão necessários alguns esforços de miniaturização.[Imagem: Toyota]
Carro inteligente
A fabricante de carros Toyota revelou os primeiros detalhes da tecnologia chamada auto-drive, que será apresentada na Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, que começa hoje.
A montadora apresentou um carro modelo Lexus equipado com o sistema de segurança, capaz de minimizar acidentes de trânsito.
A empresa já havia feito história quando um Toyota Prius tornou-se o primeiro carro sem motorista a ser licenciado nos EUA.
A tecnologia inclui um radar de bordo e câmeras de vídeo para monitorar a estrada, os arredores e o motorista.
O carro também pode se comunicar com outros veículos equipados com o mesmo sistema.
"Nós estamos olhando para um carro que possa eliminar os acidentes [de trânsito]," disse o porta-voz da empresa. "Zero-colisões é o nosso objetivo final".
  • Tecnologia pode criar carro à prova de acidentes até 2020
Sistema de transporte inteligente
A Toyota enquadra sua tecnologia no âmbito dos "sistemas de transporte inteligentes".
O protótipo é capaz de monitorar se o motorista está acordado, manter o carro na estrada, e parar em sinais de trânsito.
A tecnologia foi desenvolvida para ser utilizada em conjunto com um motorista, mas o carro pode se controlar sozinho, disse o porta-voz da empresa.
Uma série de balizadores ópticos instalados na beira da estrada ajudariam o carro detectar as posições dos pedestres e obstáculos, e transmitir informações ao protótipo sobre se um semáforo está vermelho ou verde.
No entanto, o carro também pode monitorar as posições independentemente dos balizadores.
Carros totalmente automatizados
"Não estamos como os Jetsons ainda, mas nosso carro está liderando a indústria em uma nova era", afirmou a Toyota fazendo referência ao desenho animado no qual os protagonistas usam veículos totalmente automatizados.
A Toyota também desenvolveu uma tecnologia que permite ao carro comunicar-se com o smartphone do motorista para oferecer recursos de realidade aumentada.
A empresa Google recebeu uma patente de um carro autônomo em 2011, e garantiu uma autorização para uso de seu carro sem motorista em maio de 2012.
  • Google testa carro sem motorista
No mesmo mês, a Volvo testou um comboio de carros auto-drive em uma estrada espanhola.
  • Comboio de veículos sem motorista roda 200 km na Espanha
Carros sem motorista
Especialistas acreditam que autocondução dos carros - carros sem motorista -, assim como as redes veiculares inteligentes, poderiam melhorar drasticamente a segurança rodoviária.
"Os computadores vão estar sempre vigilantes", disse o professor Paul Newman, que lidera um projeto da Universidade de Oxford sobre este tipo de veículo.
Os sistemas do carro podem ser projetados de modo que uma falha não resulte em um acidente, acrescentou o pesquisador.
Mas, como em todas as novas tecnologias, há muitos que ainda discordam dos especialistas:
  • Carro sem motorista: e se o computador travar?
Contudo, mesmo para os mais conservadores, já há opções, como os copilotos inteligentes.

Coreia apresenta trens elétricos sem fios


Coreia apresenta trens elétricos alimentados por eletricidade sem fios
A locomotiva fica a 20 centímetros de distância das bobinas de transmissão, instaladas no solo, entre os trilhos. [Imagem: KAIST]
Eletricidade sem fios
Engenheiros coreanos desenvolveram um sistema de transmissão de eletricidade sem fios de alta potência.
Os sistemas de eletricidade sem fios já estão sendo testados para alimentar marca-passos e outros implantes médicos ou recarregar baterias de carros elétricos.
Mas o sistema coreano é bem mais potente, servindo para trens, metrôs, guindastes portuários ou veículos operacionais de aeroportos.
A tecnologia, chamada OLEV (On-line Electric Vehicle) fornece remotamente até 180 kW de eletricidade de forma constante e estável.
Para demonstrar a viabilidade da tecnologia, os pesquisadores dos institutos KAIST e KRRI montaram um protótipo em um trem na estação de Osong.
A partir de Julho deste ano, o sistema, composto de uma locomotiva e um vagão, começará a ser testado em condições reais de operação, na cidade de Gumi, fazendo percursos de 40 minutos entre duas estações.
Trens elétricos sem fios
O trem possui uma bateria com apenas um quinto do tamanho do que seria necessário para um trem puramente elétrico.
A locomotiva fica a 20 centímetros de distância das bobinas de transmissão, instaladas no solo, entre os trilhos.
No teste em escala real, a carga consistirá em 100 kW de energia, transmitida a 20 kHz, com uma eficiência de 85%.
Se os trens puderem receber a eletricidade sem fios, os engenheiros calculam que haverá uma dramática redução do desgaste dos equipamentos e nos gastos de construção e manutenção.
Segundo os engenheiros, a eliminação dos postes para os fios de eletricidade permitirá o uso de menos espaço para as ferrovias, assim como a construção de túneis de menores dimensões.

Avião modular: de casa ao destino no mesmo assento


Avião modular: de casa ao destino no mesmo assento
A cápsula do trem ou do ônibus é retirada, com você e todos os demais passageiros dentro, e colocada gentilmente no avião, que decola rapidamente. [Imagem: EPFL/TRANSP-OR/LIV/ICOM]
Avião com cabides
Imagine pegar o metrô ou um ônibus especial para ir ao aeroporto.
Ao chegar, você não desce do seu assento. Em vez disso, a cápsula que estava sobre trilhos ou sobre rodas é retirada, com você e todos os demais passageiros dentro, e colocada gentilmente no avião, que decola rapidamente.
Esta é a proposta do Clip-Air, um projeto idealizado por engenheiros da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça.
A ideia é construir um avião modular, essencialmente uma asa voadora cheia de "cabides", onde as cápsulas podem ser conectadas e desconectadas rapidamente.
Os primeiros modelos em escala reduzida do avião modular, que permite conectar uma, duas ou três cápsulas, serão apresentados na próxima semana durante o Paris Air Show, na França.
Avião modular: de casa ao destino no mesmo assento
Os módulos voadores vão até as estações buscar os passageiros, que se livram de toda a espera, sobretudo com o carregamento e descarregamento de bagagens. [Imagem: EPFL/TRANSP-OR/LIV/ICOM]
Flexibilidade no transporte aéreo
Apesar de ser um projeto muito futurista, e aparentemente distante de fazer seu primeiro voo, a equipe que o idealizou afirma estar trabalhando sob restrições rigorosas para manter a sua viabilidade técnica.
"Nós ainda temos que superar várias barreiras, mas acreditamos que vale a pena trabalhar nesse conceito, tão diferente da tecnologia atual de aeronaves, mas que pode ter um impacto enorme na sociedade," disse Claudio Leonardi, responsável pelo projeto Clip-Air.
O objetivo principal é dar flexibilidade ao transporte aéreo, integrando-o com os meios de transporte usados nos grandes centros urbanos, cujos aeroportos estão próximos do limite operacional em todo o mundo.
Avião modular: de casa ao destino no mesmo assento
Voar com três módulos sob a mesma asa seria mais barato - em termos de consumo de combustível - do que ter três aeronaves da mesma capacidade voando de forma independente e com igual velocidade e altitude. [Imagem: EPFL/TRANSP-OR/LIV/ICOM]
Avião modular
O avião inclui todo o suporte de voo, incluindo asas, turbinas, cabine de comando, tanques de combustível e trens de pouso e decolagem.
Os módulos, que poderão ser projetados para passageiros ou carga, poderão pesar até 30 toneladas quando totalmente cheios.
No caso dos passageiros, cada módulo poderá levar até 150 pessoas, juntamente com suas bagagens.
No caso de carga, os módulos poderão substituir os contêineres, indo diretamente da fábrica para o avião, agilizando toda a logística de distribuição, exportação e importação.
Segundo os projetistas, o avião modular permitirá uma grande economia de combustível, já que será capaz de transportar o mesmo número de passageiros que um Airbus A320, mas usando apenas metade dos motores.
Em outras palavras, voar com três módulos sob a mesma asa seria mais barato - em termos de consumo de combustível - do que ter três aeronaves da mesma capacidade voando de forma independente e com igual velocidade e altitude.

13 de julho de 2013

Poderemos encontrar 10 planetas habitados em uma década?

Equação de Drake atualizada: 10 planetas habitados nesta década
Planetas habitados: não é mais "se", é "quantos". [Imagem: Sara Seager]
Uma tradicional ferramenta usada na busca de vida extraterrestre acaba de receber uma renovação completa.
Apesar da lamentável perda do telescópio espacial Kepler, a "reinicialização" da ferramenta pode significar que poderemos encontrar sinais de vida em planetas extrassolares dentro de uma década.
E a ferramenta não é nenhum novo telescópio ou ferramenta de observação - é uma equação matemática.
Equação de Drake
Em 1961, o astrônomo Frank Drake criou sua agora famosa equação para calcular o número de civilizações detectáveis na Via Láctea.
A equação de Drake inclui uma série de termos que, na época, pareciam ser impossíveis de se conhecer - como a existência dos planetas fora do nosso sistema solar.
Mas, nas duas últimas décadas, temos visto exoplanetas aparecerem como ervas daninhas, particularmente nos últimos anos, graças, em grande parte, ao telescópio espacial Kepler.
Com esses novos dados em mãos, Sara Seager, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, achou que era hora de dar uma atualizada na equação de Drake.
A nova versão restringe alguns dos termos originais da equação para incluir os dados mais recentes, tornando-a muito mais precisa - na descrição de Seager, se a equação original de Drake era um machado, a nova equação é um bisturi.
A equação original de Drake inclui sete termos que, multiplicados, dão o número de civilizações alienígenas inteligentes que poderíamos esperar detectar na Via Láctea.
Os dados do telescópio Kepler ajudaram a refinar dois termos: a fração de estrelas que têm planetas, e o número desses planetas que seriam habitáveis.
  • 17 bilhões de Terras derrotam conservadorismo científico
Planetas habitados à vista
Mas o que realmente interessa é o resultado da equação remodelada.
Segundo Seager, pelo menos 10 planetas habitados - não "habitáveis", mas habitados - poderão ser observados já com o telescópio espacial James Webb, que deverá ser lançado em 2017 - o cálculo original de Drake resultava em 2,3.
"Assim como na equação de Drake, alguns dos termos são sempre especulativos," reconhece a pesquisadora.
Equação de Drake atualizada: 10 planetas habitados nesta década
Será possível que poderemos de fato descobrir alienígenas bem próximos de nós? "É claro que eu acho que é possível. Por que outro motivo eu estaria trabalhando tão duro?" [Imagem: Sara Seager]
De qualquer, será possível que poderemos de fato descobrir alienígenas bem próximos de nós? "É claro que eu acho que é possível. Por que outro motivo eu estaria trabalhando tão duro?", disse ela.
E isto não é tudo.
O telescópio Kepler coletou dados durante quatro anos, mas até agora os astrônomos conseguiram analisar apenas os 18 primeiros meses - ou seja, os números poderão ficar ainda mais precisos.
E isto também não é tudo.
Com o aprimoramento das técnicas, e um monte de exoplanetas para testá-las, agora os astrônomos já estão se preparando para medir a atmosfera dos exoplanetas.
A análise dos gases associados com a vida em volta dos exoplanetas dará pistas reveladoras sobre sua composição - e sobre seus habitantes.
Segundo Seager, já nos próximos anos será possível melhorar ainda mais a equação, eliminando cada vez mais incertezas com a inserção de dados cada vez mais precisos, incluindo as "bioassinaturas atmosféricas".

Teletransporte tem novo impulso com reciclagem quântica


Teletransporte tem novo impulso com reciclagem quântica
O atual recorde de teletransporte quântico foi batido usando lasers conectando dois observatórios astronômicos.[Imagem: IQOQI-Vienna]
Nos últimos dez anos, físicos teóricos têm mostrado que as intensas conexões geradas entre partículas, pelo fenômeno quântico do entrelaçamento - ou "emaranhamento" - podem ser a chave para o teletransporte de informações quânticas.
É bem sabido que Einstein detestava a teoria do entrelaçamento quântico, descartando-o como uma "ação fantasmagórica à distância". Mas já se comprovou que o entrelaçamento é uma característica muito real no nosso universo, e que tem um potencial extraordinário para fazer avançar todos os tipos de atividade científica.
Agora, pela primeira vez, pioneiros nesse campo descobriram como o entrelaçamento pode ser "reciclado" para aumentar a eficiência dessas "ligações fantasmagóricas" entre as partículas.
A equipe também desenvolveu uma forma generalizada de teletransporte, que permite uma grande variedade de aplicações potenciais em física quântica.
O resultado nos coloca um passo mais próximo do estilo do teletransporte da ficção científica, embora esta pesquisa esteja ainda em um estágio puramente teórico.
Teletransporte quântico
Por muito tempo considerado algo impossível, finalmente, em 1993, uma equipe de cientistas calculou que o teletransporte poderia funcionar, em princípio, usando as leis da mecânica quântica.
O teletransporte quântico aproveita o entrelaçamento para transmitir blocos de informação do tamanho de partículas através de distâncias potencialmente enormes, de forma potencialmente instantânea.
  • Ação fantasmagórica à distância é 10.000 vezes mais rápida que a luz
O entrelaçamento envolve um par de partículas quânticas, como elétrons ou fótons, que estão intrinsecamente ligadas entre si, retendo a sincronização que prende as partículas, estejam elas próxima uma da outra ou em lados opostos de uma galáxia.
Através dessa conexão, bits quânticos de informação - qubits - podem ser transmitidos usando apenas as formas tradicionais de comunicação clássica.
Os protocolos de teletransporte desenvolvidos até agora ficavam em um de dois campos - aqueles que só podem enviar informações embaralhadas, exigindo correção pelo receptor, ou, mais recentemente, o teletransporte "baseado em porta", que não necessita de uma correção, mas precisa de uma quantidade impraticável de entrelaçamento, já que cada objeto enviado poderia destruir o estado entrelaçado.
Teletransporte tem novo impulso com reciclagem quântica
Um dos frutos mais surpreendentes desta área emergente de pesquisas foi o incrívelteletransporte do magnetismo. [Imagem: Navau et al./PRL]
Protocolo de teletransporte
Agora, físicos britânicos e poloneses desenvolveram um protocolo para fornecer uma solução ótima em que o estado entrelaçado é "reciclado", de forma que a ligação entre as partículas se mantém para o teletransporte de múltiplos objetos.
Eles elaboraram também um protocolo em que vários qubits podem ser transportados simultaneamente, embora o estado entrelaçado degrade proporcionalmente à quantidade de qubits enviados em ambos os casos.
"O primeiro protocolo consiste em estados de teletransporte sequenciais, e o segundo teletransporta-os em bloco," explica Sergii Strelchuck (Universidade de Cambridge), que realizou a pesquisa com seus colegas Jonathan Oppenheim (da Universidade de Londres, que descobriu uma conexão surpreendente entre fenômenos quânticos) e Michal Horodecki (da Universidade de Gdansk, responsável por demonstrar a criptografia quântica na prática pela primeira vez).
"Nós também descobrimos uma técnica de teletransporte generalizada que esperamos encontrar aplicações em áreas como a computação quântica.
Existe uma ligação estreita entre o teletransporte e os computadores quânticos, que são dispositivos que exploram a mecânica quântica para realizar cálculos que não seriam possíveis em um computador clássico. Construir um computador quântico é um dos grandes desafios da física moderna, e espera-se que o novo protocolo de teletransporte leve a avanços nessa área," prosseguiu Strelchuck.
Embora o novo protocolo seja inteiramente teórico, no ano passado uma equipe de cientistas chineses conseguiu teletransportar fótons a mais de 143 quilômetros de distância, quebrando recordes anteriores, e o entrelaçamento quântico é cada vez mais visto como uma importante área de investigação científica.
  • Diamantes entrelaçados comunicam-se à distância
O teletransporte de informações por meio de átomos individuais já é possível com as tecnologias atuais - e implementar o novo protocolo na prática deverá ser uma questão de tempo - mas o teletransporte de objetos grandes - como o Capitão Kirk - permanece no reino da ficção científica.

Computadores quânticos já são realidade, admitem cientistas


Computadores quânticos já são realidade, admitem cientistas
Atualmente, a D-Wave já vende sistemas equipados com a versão 2.0 do seu processador quântico, chamadoVesuvius, que possui 512 qubits. [Imagem: D-Wave]
Como sempre acontece, os mais puristas estão tendo que ceder às evidências experimentais.
Mais um estudo independente concluiu que o processador da D-Wave realmente opera com base em fundamentos da mecânica quântica.
Ou seja, os computadores quânticos deixaram de ser uma promessa futurística e se tornaram realidade, já podendo ser comprados no mercado.
Quando a empresa canadense lançou o D-Wave One, anunciando-o como o primeiro computador quântico a chegar ao mercado, vários físicos afirmaram que um processador quântico usando qubits codificados magneticamente em loops supercondutores estava em algum ponto numa escala que ia de uma impossibilidade a um engodo.
Quando a máquina começou a funcionar, outros mais cautelosos afirmaram que a arquitetura do processador era interessante, mas não dependia de fenômenos quânticos.
Recozimento quântico
Diferentemente dos experimentos realizados em computação quântica pelos cientistas acadêmicos, o processador da D-Wave usa uma abordagem conhecida como adiabática, explorando um mecanismo chamado termalização quântica (ou recozimento quântico, do inglês quantum annealing).
Ele foi construído com as mesmas técnicas empregadas na fabricação dos processadores eletrônicos tradicionais, mas usa bobinas de nióbio supercondutoras, em vez de semicondutores.
  • Chips supercondutores poderão se tornar realidade
Agora, uma equipe da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, atestou que a mecânica quântica desempenha um papel essencial no funcionamento da parte quântica do chip.
Em 2011, uma equipe da universidade canadense da Colúmbia Britânica já havia igualmente concluído que o processador quântico da D-Wave é realmente quântico.
"Usando um problema teste específico, envolvendo oito qubits, verificamos que o processador D-Wave realiza cálculos de otimização, isto é, encontra as soluções de menor energia, utilizando um procedimento que é consistente com o recozimento quântico e é inconsistente com as previsões do recozimento clássico," disse Daniel Lidar, coordenador da equipe que realizou a avaliação.
Computadores quânticos já são realidade, admitem cientistas
Esquema do qubit do processador quântico adiabático, formado por uma bobina supercondutora de nióbio. As setas indicam os estados de spin que codificam as informações como 0 e 1 - ao contrário dos computadores eletrônicos, esses dois valores podem existir ao mesmo tempo no qubit. [Imagem: D-Wave]
Processador quântico D-Wave
O processador da D-Wave é híbrido. Ele é capaz de executar cálculos seguindo algoritmos quânticos, mas também executa o processamento clássico dos computadores tradicionais.
O teste concentrou-se em um subconjunto do processador formado por 128 qubits, dos quais 108 são funcionais, ou seja, disponíveis para cálculos.
A avaliação foi feita no modelo original do computador, que está instalado na própria universidade.
Atualmente, a D-Wave já vende sistemas equipados com a versão 2.0 do seu processador quântico, chamadoVesuvius, que possui 512 qubits. A equipe planeja agora testar o novo chip.
Tanto a NASA, quanto o Google, já têm planos de usar o computador quântico D-Wave, que já resolveu problemas do enovelamento de proteínas e já enfrentou um PC cara a cara, vencendo fácil:

"Fervura a frio" retira água de produtos sem fervê-la



Colunas de microbolhas e, embaixo, um perfil de temperatura de uma microbolha.[Imagem: William B. Zimmerman et al./CES]
Para secar um produto ou matéria-prima na indústria, a técnica mais simples é submeter o material ao calor, fazendo com que a água se evapore.
Mas cientistas ingleses acabam de descobrir que há uma forma mais eficiente para secar produtos sem correr o risco de estragá-los.
Para isso, eles estão usando microbolhas muito quentes, que retiram a água sem que ela precise ferver.
"Nós aplicamos esse princípio, chamado 'fervura a frio', para separar água de metanol. Embora bolhas convencionais já venham sendo usadas em processos de evaporação, elas transferem um bocado de sua energia para a mistura. Isso desperdiça energia e também pode 'cozinhar' a mistura, inutilizando-a," explica o professor William Zimmerman, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra.
A solução veio na redução do tamanho das bolhas.
"O processo que desenvolvemos envolve aplicar a concentração correta de microbolhas quentes a uma fina camada de líquido. Isto faz com que a água evapore-se com um aquecimento da mistura muito pequeno," disse Zimmerman.
Segundo ele, a capacidade das microbolhas para retirar calor de um líquido poderá ser usada em muitos processos industriais, do processamento de alimentos até a produção de biocombustíveis.
A equipe já está trabalhando na montagem de uma planta-piloto para a secagem com microbolhas, que irá remover o excesso de água do soro do leite, que normalmente é usado como ração animal - se o soro for aquecido em demasia, ele perde seu conteúdo nutricional.

Ministros defendem software nacional para defesa cibernética


Os ministros Celso Amorim (Defesa) e José Elito Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional) defenderam hoje a adoção de uma estratégia ampla no esforço de garantir a segurança do sistema cibernético no país.
Amorim ressaltou que é necessário utilizar instrumentos nacionais em busca da proteção, embora reconheça que "Nenhum país poderá ter um escudo completo, nem os Estados Unidos".
"Nossa estratégia terá de envolver elementos de aumento da defesa cibernética utilizando instrumentos nacionais, do contrário, a gente vai ter uma ilusão de proteção", disse Amorim, no Senado.
Para Amorim, os mecanismos de aperfeiçoamento de segurança passam por uma tecnologia inteiramente nacional e também pela formação de profissionais para a área.
Ele disse ainda que é necessário distinguir os processos de defesa "cibernética e criminal", pois envolvem ações distintas e legislação também diferente.
José Elito defendeu a adoção de medidas em nível nacional, mas com enfoque principalmente nas áreas mais estratégicas e sensíveis. "Não podemos prevenir situações extraordinárias", reconheceu. "Não podemos fazer um plano de segurança adequada sem um serviço de inteligência integrado."
Amorim, Elito e o ministro Antônio Patriota (Relações Exteriores) participaram de audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre as denúncias de espionagem a cidadãos brasileiros por agências norte-americanas.
Em junho, os EUA admitiram espionar redes sociais e e-mails, "principalmente de cidadãos de outros países".
No início deste ano, um relatório feito por duas empresas de segurança da informação consideraram o Brasil despreparado para enfrentar hackers e outras ameaças via internet.
Pouco depois, o Exército brasileiro anunciou o desenvolvimento de um sistema de prevenção contra ataques cibernéticos.

Memória óptica 5D promete guardar dados para sempre


Memória óptica 5D promete guardar dados para sempre
Os dados são gravados por meio da automontagem de nanoestruturas criadas em quartzo fundido. [Imagem: University of Southampton]
Memória de cristal
Cientistas demonstraram experimentalmente pela primeira vez que é possível gravar dados digitais em uma memória óptica de 5 dimensões, e depois lê-los com precisão usando equipamentos simples.
A memória é um vidro nanoestruturado - um cristal de quartzo - no qual foram esculpidas estruturas em nanoescala, e os dados foram gravados e lidos usando um laser com pulsos muito rápidos na faixa dos femtossegundos.
A nova técnica de armazenamento alcançou uma densidade que aponta para discos do tamanho de um DVD com capacidade de 360 Terabytes.
Outras propriedades sem precedentes da nova memória óptica são a estabilidade termal até 1.000°C e, ainda melhor, uma vida útil praticamente ilimitada - os CDs e DVDs atuais têm vida útil média de 10 anos.
É por isso que Jingyu Zhang e seus colegas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, estão chamando o novo material de "memória de cristal do Super-homem".
Os melhoramentos são muitos em relação ao protótipo original da memória óptica 5D, apresentado em 2011, colocando o dispositivo muito próximo da comercialização.
Memória eterna
Os dados são gravados por meio da automontagem de nanoestruturas criadas em quartzo fundido.
As informações são registradas em 5 dimensões: além dos eixos X, Y e Z de cada nanoestrutura, são usados o tamanho e a orientação de cada nanoestrutura.
Memória óptica 5D promete guardar dados para sempre
Análise visual de uma das camadas da memória óptica. [Imagem: Jingyu Zhang et al.]
Além disso, no protótipo, os dados foram gravados em três camadas superpostas de nanoestruturas criadas no interior do cristal de quartzo, separadas umas das outras por cinco micrômetros.
As nanoestruturas mudam a forma como a luz viaja ao longo do vidro, modificando a polarização da luz, que pode então ser lida por uma combinação de microscopia óptica e polarizador, similar ao sistema empregado nos óculos de sol Polaroid.
Como o laser altera os átomos no vidro, um dado gravado nesta memória poderia ter uma vida útil indeterminada, "para sempre", como dizem os pesquisadores.
"Nós estamos desenvolvendo uma forma muito estável e segura de memória portátil em vidro, que poderá ser muito útil para organizações com arquivos grandes. Hoje, as empresas têm que fazer backup de seus arquivos a cada cinco ou dez anos, porque a memória dos discos rígidos têm uma vida útil relativamente curta," disse Jingyu.
A equipe está agora à procura de parceiros na indústria para comercializar a tecnologia, que será adequada para registros de longo prazo, já que a gravação é definitiva.

Relógio atômico a laser pode redefinir o tempo


Relógio atômico a laser pode redefinir o tempo
A nuvem de átomos de estrôncio é mantida no vácuo, fluorescendo pela incidência de um laser azul.[Imagem: Observatório de Paris]
Durante séculos, o tempo foi medido pela rotação da Terra em torno do Sol.
Mas nosso planeta chacoalha levemente ao girar em torno de seu eixo, o que faz com que alguns dias sejam mais curtos ou mais longos do que outros.
É claro que é o movimento é muito sutil para ser percebido pelos humanos, mas é grande o suficiente para atrapalhar uma boa definição de tempo.
A partir da década de 1950, o advento dos relógios atômicos nos permitiu olhar de forma diferente para o que seja fundamentalmente um segundo.
Assim, em 1967, o Sistema Internacional de Unidades (SI) adotou como definição de um segundo a duração de 9.192.631.770 oscilações da radiação de micro-ondas absorvida ou emitida quando um átomo de césio salta entre dois estados particulares de energia.
Ou seja, o tique-taque fundamental é definido pela inversão no spin do elétron da camada mais externa de um átomo de césio em um tipo de relógio atômico conhecido como "chafariz", em que nuvens de milhões de átomos de césio jorram enquanto são golpeados constantemente pela radiação de micro-ondas.
O nome chafariz deve-se ao fato de que o relógio é essencialmente uma fonte de átomos, em que as emissões de cada átomo são medidas duas vezes, uma quando eles são arremessados para cima, e outra quando eles caem de volta, puxados pela gravidade.
Relógio atômico a laser
Agora, Rodolphe Le Targat e seus colegas do Observatório de Paris estão propondo a adoção de um outro tipo de relógio atômico, baseado em feixes de laser, para obter uma definição ainda mais precisa do segundo.
Enquanto as micro-ondas oscilam a uma frequência ao redor de 10 gigahertz, atingindo uma precisão de uma parte em cada 10 quatrilhões, a frequência de oscilação de um laser é 40.000 vezes maior.
No relógio atômico a laser - tecnicamente, relógio de rede óptica -, cuja confiabilidade agora foi demonstrada pela equipe francesa, os átomos de césio são substituídos por átomos de estrôncio, que fluorescem no vácuo quando são atingidos pelo laser.
Essa fluorescência ocorre em um comprimento de onda muito preciso, que poderá ser usado então para redefinir o segundo.
Sincronização do tempo
Relógio atômico a laser pode redefinir o tempo
Aparato necessário para sincronizar dois relógios atômicos ópticos de estrôncio (Sr1 e Sr2). [Imagem: R. Le Targat et al./Nature Communications]
O que Targat e seus colegas fizeram foi demonstrar que dois relógios atômicos a laser - que já existem há pelo menos 10 anos - podem ser precisamente sincronizados, um teste de consistência que é essencial para que o tempo possa ser medido, atualizado e sincronizado por diversos relógios ao redor do mundo.
O exemplo mais comum dessa necessidade de precisão e sincronização pode ser visto no sistema de posicionamento global: se um sinal de satélite chegar ao aparelho de GPS com três nanossegundos de atraso, isso pode significar um erro de um metro na posição medida.
Enquanto um relógio atômico de chafariz de césio tem uma precisão de 2,4 × 10-16, o relógio de rede óptica chega a 1 × 10-17 - a precisão da sincronização experimental obtida pelos pesquisadores foi de 1,5 × 10-16.
Pode parecer pouco, mas não é: enquanto a definição atual do SI garante que um segundo não mudará a cada 100 milhões de anos, a adoção de um relógio atômico a laser elevará essa incerteza para 300 milhões de anos.
Para entender melhor a importância da sincronização entre os relógios atômicos, veja a reportagem: Relojoeiros do futuro precisarão do passado para conhecer seu presente

12 de julho de 2013

Wi-Fi vira Wi-Vi para espionar pessoas além das paredes


Wi-Fi vira Wi-Vi para espionar pessoas além das paredes
O "Wi-Vi" baseia-se em um conceito semelhante ao do sonar e do radar de imagem, com a diferença de que ele usa a reflexão de ondas Wi-Fi de baixa potência. [Imagem: Christine Daniloff/MIT]
Espiar os outros parece ser uma das atividades humanas mais antigas, e muitos psicólogos sugerem que isto explica o gosto das multidões pelas novelas, que seriam uma maneira politicamente correta de espionar a vida alheia.
Os cientistas também formam multidões, e há muito tempo tentam usar a tecnologia para ver através das paredes, usando ondas de rádio,técnicas de radar e até a emergente tecnologia das ondas terahertz.
No experimento mais recente, cientistas holandeses haviam demonstrado que é possívelfotografar um objeto atrás de uma barreira totalmente opaca.
Então, você não vai se surpreender com o trabalho de Fadel Adib and Dina Katabi, do MIT, nos Estados Unidos.
Eles usaram a tradicional técnica de transmissão de dados sem fio, a Wi-Fi, para criar o "Wi-Vi", um trocadilho para descrever uma tecnologia que usa ondas de rádio de baixa potência para enxergar através das paredes.
Além de evitar os riscos à saúde de uma eventual "visão de raios X", no melhor estilo Super Homem, a nova técnica pode ser incorporada em um aparelho portátil, ou mesmo incorporada em celulares e tablets.
Wi-Vi
O "Wi-Vi" baseia-se em um conceito semelhante ao do sonar e do radar de imagem, com a diferença de que ele usa a reflexão de ondas Wi-Fi de baixa potência.
Os pesquisadores mostraram que é possível rastrear um ser humano mesmo se a pessoa estiver em um quarto fechado ou se escondendo atrás de uma parede.
Wi-Fi vira Wi-Vi para espionar pessoas além das paredes
O sistema possui uma precisão suficiente para indicar o sentido do movimento e movimentos menores, que não envolvem andar. [Imagem: Fadel Adib/Dina Katabi]
Quando um sinal de Wi-Fi atinge uma parede, uma parte dele passa através da parede, refletindo-se nas pessoas do outro lado e retornando. Outra parte do sinal reflete-se na própria parede, e retorna imediatamente.
"Então, o que tivemos que fazer foi desenvolver uma tecnologia que possa cancelar todas essas reflexões, e manter apenas aquelas do ser humano em movimento," disse Katabi.
Para isso, são usadas duas antenas de transmissão e um único receptor.
As duas antenas transmitem sinais idênticos, mas invertidos, o que faz com que os dois sinais interfiram um com o outro, cancelando-se. Se os sinais se refletirem em qualquer objeto parado, a reflexão é idêntica, e os sinais também se anulam.
A única exceção ocorre nas reflexões que se alteram entre os dois sinais, como aquelas geradas por um objeto em movimento.
"Assim, se a pessoa se move atrás da parede, todas as reflexões dos objetos estáticos são canceladas, e a única coisa registrada pelo dispositivo é o movimento humano," explica Adib.
Conforme a pessoa se move através da sala, sua distância em relação ao receptor se altera, ou seja, o tempo que leva para que sinal refletido faça seu caminho de volta para receptor também muda. O sistema utiliza esta informação para calcular onde a pessoa está a cada momento.
Isso torna muito simples o rastreamento de uma pessoa se movimentando detrás de uma parede, dispensando as múltiplas antenas usadas nos esquemas anteriores.
Apesar do sucesso do experimento, os cientistas não souberam indicar nenhuma utilidade prática para sua criação, à exceção de espionar os outros.

Exoplaneta é mais azul do que a Terra


Exoplaneta é mais azul do que a Terra
Esta é a primeira vez que a cor de um exoplaneta é vista diretamente, em luz visível.[Imagem: NASA/ESA/A. Feild(STScI)]
Cor dos exoplanetas
O telescópio espacial Hubble conseguiu observar pela primeira vez a cor de um exoplaneta, um planeta que orbita outra estrela, a 63 anos-luz de distância.
O planeta é conhecido como HD 189733b, um dos exoplanetas mais próximos de nós dentre aqueles que podem ser vistos cruzando à frente de sua estrela - uma técnica conhecida como trânsito planetário.
Observando em luz visível, o Hubble mediu as mudanças na cor da luz do planeta, antes, durante e depois de ele passar por trás da sua estrela.
"Nós vimos a luz tornando-se menos brilhante no azul, mas não no verde ou no vermelho. Houve menos luz azul, mas não vermelha, quando ele ficou escondido. Isso significa que o objeto que desapareceu era azul," explica o astrônomo Frederic Pont, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, membro da equipe que fez a análise.
O Hubble já fez várias observações do HD 189733b, uma das quais já havia dado indícios de espalhamento de uma luz azul pelo planeta. As novas observações confirmaram a suspeita.
Exoplaneta é mais azul do que a Terra
Comparação das cores dos planetas do Sistema Solar com o exoplaneta HD 189733b - sua cor azul vem de gotas de minerais chamados silicatos, que espalham a luz azul em sua atmosfera. [Imagem: NASA/ESA/A. Feild(STScI)]
Chuva de vidro
Se pudéssemos olhar para ele diretamente, este exoplaneta seria azul profundo, mais azul do que a própria Terra.
Mas as comparações terminam aí.
O HD 189733b pertence a uma classe de planetas, chamados Júpiteres quentes.
Ele está a apenas 2,9 milhões de quilômetros da sua estrela-mãe, tão perto que ele é gravitacionalmente "travado" - um lado está sempre voltado para a estrela e do outro lado é sempre escuro.
A temperatura durante o dia na face voltada para a estrela fica próxima dos 1.100 graus centígrados.
O mais impressionante é que lá deve chover vidro, em tempestades com ventos soprando a mais de 7.000 km/h.
É essa atmosfera bizarra que explica a cor azul profunda do planeta. Suas nuvens de grande altitude contêm partículas de silicatos, que se condensam devido ao calor, formando pequenas gotas de vidro que refletem a luz azul mais do que outros comprimentos de onda.